domingo, 6 de dezembro de 2009

MEMORIAL

Nasci numa família humilde, na Zona Rural do município de Pirapetinga. Filha do meio, entre dois meninos e a única sobrevivente das disenterias da época.
Desde criança, me senti influenciada pelas letras. Minha vovó, por mais analfabeta que fosse, conhecia as vogais e fazia questão de ensinar-me. Meu caderno era a parede da cozinha e meu lápis era o carvão retirado de nosso fogão à lenha. Eu não entendia direito, mas, todas as manhãs, vovó passava um barro branquinho na parede e à noite fazia questão que eu, em minha ingenuidade, a rabiscasse.
Ingressei na escola aos 6 anos. Recordo minha empolgação quando aprendi a escrever a palavra “borracha” e recordo de ler para mamãe a 1ª historinha em um livrinho que falava sobre hortas e plantações de chuchu. Só hoje entendo o motivo das lágrimas de minha mãe enquanto eu lia.
Não tenho nenhuma recordação de professores pedindo para ler livros. Na minha época, nem didáticos existiam. Despertei mesmo para o mundo da leitura quando estudei da 5ª à 8ª série, e os professores pediam para lermos os famosos “Para Gostar de Ler” com todos os seus volumes. Foi a partir daí que me apaixonei pelo gênero crônica.
Concluí a faculdade de Letras no ano de 2004. Já trabalhava como professora efetiva de 1ª a 4ª séries há quase 15 anos e ouvia comentários que, de acordo com o PDE, professores que não tivessem concluído faculdade até 2010 perderiam seu emprego.
Na faculdade tive oportunidade de escrever contos, novelas, poemas, cordéis e me dei conta de que sempre gostei disso, só que não dava importância. Fico triste por não ter guardado comigo a cópia do cordel que fiz para apresentar à professora de Literatura com o livro Vidas Secas. Trabalho esse muito elogiado na época pela mesma.
É gratificante despertar nos alunos o interesse pela leitura, pelos livros. Trabalho em duas escolas. Na escola estadual trabalho com EJA e sempre os coloco para ler e apresentar em seminários razões para os amigos lerem ou não o mesmo livro. Na outra matrícula, eu trabalho na biblioteca, e estou constantemente em contato com as obras literárias.
Gosto do que faço e sou feliz por isso.

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Quem sou?

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Pirapetinga, Minas Gerais, Brazil
Sou Neusa Maria Machado Pena,formadora do GESTAR II Língua Portuguesa em Pirapetinga, filha única criada sem mimos e sim entre muitas dificuldades. Casada por 25 anos e mãe de Eveline e Evandro. Ela graduada em Matemática pela UFF e ele terminando o Ensino Médio. Sou graduada em Letras pela FAFI PRONAFOR Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Professora Nair Fortes de Além Paraíba MG e leciono há 20 anos na Escola Estadual Capitão Ovídio Lima e há 15 na rede municipal. A cada ano trabalho com novas séries e adquiro mais experiências. Atualmente trabalho com EJA Médio e Biblioteca. Gosto muito do que faço mas sonho com minha aposentadoria para poder ter tempo suficiente para prestar serviço comunitário num hospital público ou em um asilo, contando histórias e ouvindo histórias de idosos. Sou uma pessoa cheia de esperanças, alegre e feliz apesar de alguns amigos dizerem que vivo em outro planeta e que preciso aterrissar urgentemente na Terra.

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